SILVINA
Silvina, adolescente, floresceu como uma mulata sestrosa. Era constantemente assediada pelos rapazes, na escola e no bairro. Caprichava no “look” sensual. Se sentia admirada e desejada pelos homens e não demorou a ter uma vida sexual intensa. Descobrindo-se aos poucos tinha muitas dúvidas principalmente a respeito do seu próprio corpo e como deveria se comportar Silvina não tinha nenhuma informação sobre sexo ou reprodução vinda de uma fonte fidedigna.
Um dia ela descobriu que estava grávida. Isso foi apenas uma das coisas que ela aprendeu naquele momento. Ela aprendeu como fora fecundada e porque, aprendeu que havia como evitar uma gravidez e aprendeu o que aconteceria dali para frente.
Com as amigas soube que poderia fazer um aborto e procurou a Prof.ª Rute, responsável pela sua turma na escola. A Prof.ª Rute católica, admoestou Silvina por cogitar tão pecaminosa atitude:
– Você vai pro inferno.
Decepcionada, foi à Clínica da Família. O Dr. Altino, muito solícito, explicou-lhe que em qualquer clínica recusariam proceder o aborto pois era crime. No entanto, completou o médico, ele mesmo poderia fazê-lo, no particular, e custaria uma quantia. Silvina jamais poderia pagar tal montante. Alguém sugeriu que procurasse Dnª Tereza, a atendente que tomava conta do ambulatório da escola.
– Minha filha que complicação você se meteu. O pai da criança sabe de tudo? Vai lhe ajudar? Posso fazer o aborto em outro lugar, mas vai custar alguma coisa.
A quantia não era pequena, mas possível de conseguir.
Falou com o pai do bebê que concordou em ajudar pagando a Dnª Tereza. Silvina marcou o aborto.
No dia Dnª Tereza lhe deu um monte de comprimidos e mexeu em sua vagina fazendo Silvina gritar de dor.
– É para abrir caminho pro feto.
Silvina em casa teve uma hemorragia e foi levada para o hospital. Dias depois, por conta de uma infecção grave, Silvina morreu. Somente algumas amigas e sua mãe foram ao enterro.