OS DEUSES E NÓS
Por trezentos milênios o Homo sapiens
Tem Inventado as fantásticas histórias
Dos Deuses. Mas quem de fato nós somos?
Que importância temos, na Terra, no Cosmos.
Estamos sós neste universo
Imenso, precário e desconhecido.
Ninguém para admirar nosso gênio
Ou controlar nossa inata selvageria.
Não há a danação nem redenção
Por conta de nossos atos.
Ademais, de forma cruel e maliciosa,
Por vezes sentimos prazer nas aflições,
Que infligimos aos outros.
Mas, assim, nem todos somos;
Há compaixão e há o amor.
Porque tudo parece tão confuso?
Vivemos sem justificativas.
Rimos de nossas certezas
E das nossas fraquezas.
Desdenhamos os semelhantes
O egoísmo é claro, o altruísmo é raro.
Temos pena de nós mesmos e choramos,
Criamos milhares de regras, profanas e sagradas,
Mal cumprimos qualquer uma delas;
Não matamos, não roubamos, não estupramos,
Mas, para isso, não são precisas as leis,
Na maioria inúteis normas morais.
Sem elas também seremos normais.
Mesmo com tanto ceticismo,
Descrendo dos dogmas divinos
Sobrenaturais e metafísicos.
Nas absurdas normas sociais
Há uma mágica e excepcional ocasião
Quando nos unimos alma e carne
Desejo e gozo, amor e paixão
E caímos nos braços um do outro,
E juramos por todos os céus
Que nos amamos pela eternidade.
Momento fugaz, que com facilidade,
Perde-se para a dura realidade
Um tesouro para ser preservado
Com as mesmas juras de amor repetidas,
As mesmas emoções compartilhadas,
Com o mesmo ardor e a paixão sentidas.
Nunca nos sentiremos arrependidos
Pois, se por óbvio, não dura para sempre,
Pouco importa, desde que nos envolvamos
Completamente de corpo, alma e mente.
Paganini Caprice nº.24