Houve tempo em que eu era poderoso,
E fazia coisas extraordinárias!
A minha força era magia.
Eram dias de encantamentos…
Com meus amores eu repartia
Inebriantes prazeres;
E destes milagres me comprazia.
Eu conjurava tristeza e alegria.
Eram meus favores,
Trocados por lânguidos suspiros,
Das mulheres que eu amei;
E pela fidelidade
Dos amigos que escolhi.
Invoquei as fantasias de prazer,
Para saciar meus acólitos,
Dia a dia.
Agora, meus poderes acabaram!
Porque esvaiu-se a força que me nutria?
Meus amigos foram embora,
Não tenho mais os beijos
Das amantes de outrora,
De cujo ardor desfrutava.
Clamei, então, aos céus,
Que um dia habitei,
Revoltado e humilhado:
Misericórdia, pelo passado!
Talvez me dessem alguma graça,
Ou alguma danação.
Talvez me tirassem a vida,
Ou a razão.
Talvez me fizessem escravo,
De alguma obsessão.
Senti-lhes a indiferença…
Esquecido, paro de implorar.
Construirei em outro lugar.
Os amigos voltarão, os amores também.
Mas neles haverá dores e incertezas.
Meus iguais serão fracos,
Mas serão meus iguais.
Eram bons os dias de encantamentos!
Melhores que os atuais.
Eles se foram,
Mas não eram meus,
Nem eram reais.
