A manhã invadiu o quarto pelas frestas da janela,
E envolveu-te em uma nuvem de luz.
Eu, que ainda estava na escura noite,
Acheguei-me a ti, me pus entre teus seios,
Escorri pr’as tuas coxas, beijei-te a boca,
E em teu corpo penetrei.
Por encanto, iluminaram-se nossas almas.
Pensei: “Como é fácil ser feliz”.
Há quem afirme que existe um mapa
Do lugar da felicidade,
Que nunca foi desenhado,
Pois que, seus pedaços,
Estão gravados em nossa carne,
Num idioma inexistente,
Com palavras que não se falam.
Tal roteiro não se revela a qualquer hora,
Mas quando o faz é bom segui-lo.
Pois foi assim, em teu carinho,
Nesta manhã de tanta luz,
Que eu vi o bom caminho.
Fugaz, contudo, é tal visão.
Para reter-se na memória a misteriosa trilha,
Que se revela em ti somente,
Por teu amor ardente,
Só quem te ama, compartilha.
Para seguir tal estrada, terei de amar-te sempre,
E só então me mostrarás, a almejada meta,
Que num vislumbre antevi. Estava escrito:
É aqui!
