O pote de ferro propôs
Ao pote de barro uma viagem.
Este recusou,
Dizendo que seria mais sábio
Ficar ao pé do fogo:
Porque era preciso pouco,
Muito pouco, a menor coisa,
Para o quebrar:
E ficaria em pedaços.
Para vós, disse ele, cuja pele
É mais dura que a minha,
Não há nada que o atinja.
Nós nos protegeremos,
Respondeu o pote de ferro:
Se qualquer matéria dura
Ameaçar-vos na aventura,
Entre os dois eu ficarei,
E do golpe o salvarei.
Esta oferta o persuadiu.
Pote de ferro, seu camarada,
Colocou-se bem ao seu lado.
E se foram como podiam,
Trôpegos e cambaleantes,
Chocando-se um contra o outro,
Aos menores obstáculos que encontravam.
O pote de barro sofria: não andara cem passos
Quando foi estilhaçado por seu companheiro,
Sem que ao menos pudesse se queixar.
Não nos associemos senão com nossos iguais:
Ou então teremos o destino de um destes potes.
Fables de La Fontaine. Livro V – II. Tours éditeurs. Paris, 1910.
