depois de Guilherme Figueiredo
Reflito sobre meus atos,
E digo a mim mesmo:
-Eu sou chato!
Como é cruel este retrato!
Mas me obrigo a tal distrato,
Pois, pior do que saber-se chato,
É obrigar algum incauto amigo
A sofrer por este fato.
Repetir a mesma sina,
Todo dia, hora a hora,
Cada minuto que passa.
A mesmna rotina,
O mesmo ofício,
Sem a mínima graça.
Viver este suplício,
De sempre beber à mesma taça.
Mas, como todo cagüira,
Eu me refaço;
Mesmo quase expulso
Dos seus braços,
Vou reencontrá-la,
-Ah, momento raro!-
No local onde são abandonados
Aqueles que perecem entediados.
Lá, escrito nos umbrais,
Para que todos leiam,
Em enormes letras capitais:
OS CHATOS NÃO SE CHATEIAM”
