UM MUNDO TÃO CONFUSO
Um mundo tão confuso como nosso,
É mesmo assim que ele nos parece.
Há quem discorde: “O mundo é o que é”
Atrapalhados, talvez sejamos nós.
Por algum acidente evolutivo,
Somos tão inteligentes quanto estúpidos
E, ao contrário de todas criaturas
Matamos por prazer o que é vivo,
E nos compadecemos com nós mesmos.
Deuses que nos perdoam, inventamos,
Assim como a penitência e o remorso.
No entanto algo tão misterioso
Se imiscui, se insinua em nossas mentes,
E causa um estado de torpor: É o amor.
Mesmo o desprezando, do amor não se escapa.
A mais vil das criaturas do planeta,
Terá alguém que sinceramente o ama,
E torna possível superar o Karma
De sermos tão violentos, e cruéis.
Do paroxismo das agressões inúteis
E das paixões egoístas e fúteis,
Há o esplendor da afeição sincera,
Dos pares apaixonados na terra,
Do desejo que incendeia por eras,
Os espíritos de homens e mulheres,
Fazendo-os enlearem suas carnes
Nesta antigo e inescapável ritual:
A reprodução! Nosso destino, afinal.
Mourão . Guerra Peixe & Clovis Pereira . Minczuk – Orquestra Sinfônica Brasileira