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VACANCES EN SUISSE
sábado, dezembro 21st, 2024ASSÉDIO NA REPARTIÇÃO
sexta-feira, dezembro 6th, 2024Roseli era uma médica recém formada, cheia de aspirações profissionais e boas
intenções, contratada pelo Ministério para atuar no planejamento de programas
de saúde pública, aliás sua especialidade. Foi lotada numa repartição junto a
outros profissionais de diferentes disciplinas, enfermeiros, economistas,
médicos, administradores, farmacêuticos. nutricionistas, enfim uma pletora de
profissões necessárias à boa administração da saúde pública. Como se espera,
eram personalidades distintas, cada uma com suas idiossincrasias e nem
sempre compatíveis uns com as outros, Roseli era uma mulher inteligente, bem
preparada. profissionalmente, com uma personalidade liberal, moderna e
tolerante, mas também era, de um certo modo, ingênua ao avaliar os outros.
A Maria da Penha era uma enfermeira veterana, com grande experiência
profissional e um tanto prepotente, mas não injusta, ao chefiar este grupo de
sanitaristas. Tratava a todos os colegas subordinados a ela. com civilidade, mas
rigor. Cobrava empenho e resultados.
Neste aspecto Roseli se sobressaía pela dedicação e proficiência no trabalho e
isto agradava sobremaneira a Mª da Penha, que se aproximava cada vez mais
da colega.
Esta aproximação trouxe intimidade entre elas e Roseli já considerava a Penha
como sua amiga do peito e indiscutivelmente era correspondida. Seus encontros
amistosos extrapolavam o ambiente profissional e com frequência. eram vistas
juntas em celebrações sociais variadas, cinemas, teatros, restaurantes etc.
Telma, outra colega da repartição, acompanhava o desenrolar desta nova
amizade e percebeu que, cada uma. via suas recíprocas relações de forma um
tanto diferente, mas supôs que Roseli estava ciente deste fato. Mesmo assim
numa conversa ocasional com a Roseli, abordou a situação:
– Você sabe que a Penha é sapatão, não é? Perguntou Telma de supetão à
Roseli.
– Como assim, sapatão? Isto é muito grosseiro.
– Ora, Roseli, ela não lhe contou nada? Não lhe sugeriu nada? Ela é lésbica e
todo mundo sabe disso na repartição.
– Olha, – respondeu Roseli, um tanto irritada – Eu a considero uma de minhas
melhores amigas e até onde sei isto é recíproco. Em nenhum momento tal
situação foi aventada. Acho que isto é uma fofoca intolerável.
– Pois bem, me desculpa ter abordado este assunto, mas não é segredo algum
que a Penha tem tesão por você, daí eu pensei que a relação de vocês era
explícita, embora ainda tivesse alguma dúvida, por isso perguntei. Sem ofensas,
apenas fiquei curiosa, mas vocês são adultas e sabem como lidar com a
situação. Me desculpe mais uma vez se fui inconveniente. Não se fala mais
nisso.
Roseli ficou zangada e intrigada ao mesmo tempo porque considerava a Telma
uma boa pessoa e que não diria tudo isto se não tivesse alguma razão.
“A Telma não é fofoqueira. Alguém botou isso na cabeça dela”.
Um par de dias se passou. e, num final de expediente, na véspera do fim de
semana, quando a repartição estava praticamente vazia, Roseli,
despretensiosamente, falou à Penha:
– Sabe, a Telma me abordou com uma história que circula que nós duas teríamos
um caso amoroso. Pode isso?
Mª da Penha já esperava por essa pergunta. Apesar de ter dado todos os indícios
de seu desejo, a Roseli não dera ainda sinal que corresponderia e naquele
momento pareceu à Penha que era o sinal que esperava
– E se fosse verdade isto, você teria alguma objeção? – emendou a Penha.
Roseli enrubesceu e por um momento ficou de tal modo embaraçada que mal
respondeu:
– Bem, não seria apropriado.
A Mª da Penha levantou-se e foi em direção e estupefata Roseli:
– Você sabe que sim. Que morro de tesão por você. Qual o problema?
A Roseli percebeu que a Penha vinha para agarrá-la e, em pânico, correu para
a salinha do café. A Mª da Penha, muito maior e mais forte do que ela veio atrás,
a agarrou e a beijou ardorosamente enquanto afirmava:
– Não se faça de puritana. Eu sei que você também tem tesão por mim.
Roseli queria gritar, mas tal era seu medo e constrangimento que não conseguiu
emitir um único som. Foi quando a porta da sala se abriu e entrou por ela a
servente Zeferina que mesmo percebendo a situação se comportou como se
nada tivesse visto:
– Ah! Vocês estão aí. Pois, o café acabou, mas se quiserem posso passar um
fresquinho
Foi o suficiente para a Roseli fugir dali, da repartição e do emprego.